Na primeira metade do século XVI nasceram, frutos de zeloso apostolado, associações pias que visavam a reforma dos costumes e o culto da Virgem Santíssima, este tão perseguido pelo Protestantismo nascente.
Em 1563, Colégio Romano (Roma) reunia o padre Leunis, SJ, no princípio semanalmente, depois cada dia, aos pés de Nossa Senhora, os seus discípulos e muitos que não o eram, orando todos à Ssma. Virgem, e ouvindo a seguir uma breve leitura espiritual. Nos Domingos e Festas cantavam-se ainda as Vésperas solenes.
Padre Sacchini, SJ: “... assim, pois, aqueles que desejavam unir a piedade ao estudo das Letras, começaram a se reunir todos os dias numa sala onde enfeitavam um altarzinho. Ali, algumas vezes rezavam juntos e faziam uma piedosa leitura para ser ouvida por todos. Ao domingo e dias santos, segundo o costume da Igreja, oravam e cantavam. Destes pobres inícios tiveram começo as Congregações Marianas mais tarde dedicadas ao culto da Santíssima Virgem que, orientadas e dirigidas por sábias normas, se espalharam por toda a terra, fazendo bem não somente aos jovens mas também às outras pessoas”.
Um ano depois eram já setenta os congregados.
A Congregação tinha um Presidente e alguns Oficiais subalternos, subordinados todos ao Diretor, um sacerdote que deveria necessariamente ser da Companhia de Jesus. Outra inovação moderna: o comando da Congregação era entregue a leigos, e ainda por cima a jovens. O Presidente (chamado de “Prefeito” na Europa) era assessorado por “Assistentes” e a diretoria da Congregação se completava com oficiais, como Secretário, Leitor, Tesoureiro, Mordomo de Capela, Apontador e outros. “A julgar pelos estatutos redigidos pelo Padre Leunis, as Congregações Marianas insistiam desde então na responsabilidade própria dos leigos na Igreja e no mundo. Aqueles jovens congregados tinham claramente como meta o ideal inaciano de integração da vida de fé com a vida cotidiana. Descobriam a ‘Maneira’ de viver plenamente o Evangelho em sua vida profissional, sem sentir-se na obrigação de entrar em um convento. Identificamos aqui a descoberta da fraternidade. da comunidade para servir juntos ao Senhor, seguindo o exemplo daquela primeira célula da Igreja que surgiu em Jerusalém depois do Pentecostes dos apóstolos. Embora as perspectivas sejam claramente inacianas, não é Inácio mas a Virgem Maria quem dá o tom a esses estatutos.” - pe. Villaret, SJ
Em 8 de setembro de 1751 concedeu o mesmo Bento XIV o direito de que pudessem agregar-se à Primária todas e quaisquer Congregações Marianas - fossem de homens, de mulheres ou mistas - eretas nas casas ou igrejas da Companhia de Jesus em todo o Mundo. O papa Leão XII, em Rescrito especial de 7 de março de 1825, permitiu a agregação de quaisquer Congregações Marianas - ainda que não fossem dirigidas por padres da Companhia. Surgia que as Congregações Marianas não fossem restritas a orientação jesuíta. Não eram mais apenas “associações da Companhia”, mas sim de toda a Igreja, protegidas e orientadas pelo Clero, secular ou não. O processo de autorização de uma nova Congregação Mariana era burocrático: mesmo que uma nova associação fosse criada em algum lugar e que tivesse acompanhamento de um sacerdote, necessitava de uma carta ser enviada à Congregação Mariana da Anunciação, em Roma, a “Prima Primária”. Nesta carta devia-se constar os pormenores da associação e as exigências (rígidas para a época): Comunhão Geral mensal, reuniões semanais, apostolado local e seleção de membros (como não aceitar-se como Congregado quem não tivesse a ao menos um período probatório de ao menos seis meses). No Brasil floresceram elas também, e o número das Congregações agregadas à Prima Primaria em 1572 antes da supressão da Companhia, era já de 2.126. A supressão da Companhia de Jesus, deu-lhes enorme atraso. Continuaram algumas a viver à sombra de Jesuítas dispersos. Outras, pelos cuidados do Clero secular. A restauração da Companhia em 1814 trouxe-lhes nova vida e expansão enorme. Neste movimento crescente da segunda metade do século XX, as Congregações Marianas cresceram admiravelmente em todas as Dioceses do Brasil entre as décadas 1920 e 1940. O Clero brasileiro tinha grande apreço, resumida na frase do Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Leme: “uma paróquia sem Congregação Mariana é como um jardim sem flores” O mesmo Cardeal Leme, na Concentração Internacional das Congregações Marianas no Rio de Janeiro em 1935, dizia para milhares de Congregados marianos de todo o Brasil e de outros países: “A Fita Azul salvará o Brasil!” Em Roma, aos 27 de setembro de 1948, o Venerável Pio XII, pela Constituição Apostólica “Bis Sæcularii die”, no segundo centenário da Bula “Gloriosæ Dominæ”, de Bento XIV, confirma os privilégios e regras das Congregações Marianas, e declara que elas são verdadeiramente Ação Católica. Este documento é considerado a Carta Magna das Congregações Marianas. Em 1954, em Roma realiza-se o Congresso Mundial das Congregações Marianas. Nesta ocasião há 81.000 Congregações Marianas em 115 países de todos os continentes, em 1291 dioceses reunindo cerca de 6 milhões de Congregados. Por ocasião do 3° Encontro Nacional dos Dirigentes Marianos no Rio de Janeiro, em 1956, um levantamento mostra a existência no país de 74 Federações Diocesanas, mais de 2.700 Congregações Marianas, reunindo cerca de 400.000 Congregados. Destas Congregações Marianas, 82 funcionam em Seminários Diocesanos ou Religiosos. Mas no pós-conciliar, na ânsia apressada em rever as raízes específicas de cada Ordem ou associação religiosa, havia crescido na Companhia de Jesus um desejo de retornar ao “Inácio” antigo.
O Clero de 1940 que apoiava as Congregações Marianas brasileiras não existia mais no Clero das décadas de 1970 e 1980 que abandonaria as mesmas em favor de Novos Movimentos Eclesiais, como os Cursilhos de Cristandade, por exemplo.
Alguns jesuítas tomaram particularmente uma atitude imparcial, preferindo continuar na orientação das Congregações Marianas apesar da determinação oficial da Companhia em adotar as Comunidades de Vida Cristã. Congregações Marianas da Grécia e dos Estados Unidos continuaram com sua vida anterior, ainda com a orientação espiritual de jesuítas.
Em novembro de 1991 a Assembleia Nacional das Congregações Marianas realizada anualmente em Aparecida (SP), aprovou o texto de um novo Estatuto para a Confederação Nacional. Estas decisões receberam a homologação do Cardeal Dom Eugênio Sales, então Arcebispo do Rio de Janeiro e, por um privilégio especial anexo ao Arcebispado carioca na época, era o Assistente Eclesiástico nato das Congregações Marianas do Brasil. ciação.
Em 25 de março de 1993, festa da Anunciação de Maria e Dia Mundial do Congregado Mariano, o então Presidente Mundial das CVX, o irlandês Brendan McLoughlin, enviou carta ao Cardeal Dom Eugênio Sales , aceitando a mudança. À época existiam aproximadamente 50.000 Congregados marianos no Brasil, agrupados em 62 Federações Diocesanas.
As Congregações Marianas, criadas na onda da Contra Reforma na Idade Moderna do século XVI, chegam ao século XXI renovadas e adaptadas à situação eclesial pós Vaticano II, em uma Sociedade pós Moderna, informatizada e ecologicamente preocupada.
Novos objetivos devem ser alcançados neste início do Segundo Milênio do Cristianismo e as Congregações Marianas continuam não só a existir como ainda a proliferar por todos os cantos do Mundo. Atualmente, não se sabe ao certo quantos Congregados marianos existem no Mundo, mas há vários países que mantém suas Congregações Marianas, como os Estados Unidos, Irlanda, Líbano, Grécia, Alemanha, Espanha, Colômbia, França, Angola, Suíça, Dubai, México, Porto Rico e Caribe.
No Brasil existem atualmente 72 Federações nas Dioceses brasileiras, além de dezenas de Congregações Marianas isoladas e 5 Coordenações Regionais.
Todas estão agrupadas em uma Confederação Nacional que contabiliza cerca de 50 mil Congregados marianos brasileiros.
A Revista “Estrela do Mar”, órgão oficial das Congregações Marianas do Brasil, completou em 2009 seu Centenário de publicação ininterrupta.
O Apologeta Mariano
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